|
| Política |
| Sáb, 13 de Setembro de 2008 17:16 |
|
Analfabeto-eleitor, condição politicamente correta. No Brasil, o Analfabetismo não parece ser um problema extremamente grave, e que condena parte dos brasileiros a viverem numa condição de extrema humilhação e exclusão social, e ainda compromete fortemente o exercício pleno da cidadania e o desenvolvimento sócio-econômico do País. Nossos índices de analfabetismo nem sempre são confiáveis e nem aceitos sem questionamentos, pois os parâmetros de pesquisas são instáveis, as faixas etárias de abrangências são alteradas para atender conveniências de Governos, e ainda temos os índices divulgados de forma segmentada em níveis de escolaridade – analfabeto absoluto, rudimentar, básico e pleno. Tudo isso com o propósito de mostrar falsas melhorias e propagar a idéia de que estamos caminhando para a “erradicação” dessa condição desumana em que convivem muitos dos nossos irmãos brasileiros. Na verdade não existe vontade política para enfrentar e resolver o problema. É mais um daqueles casos que não se sabe, ao certo, se o analfabeto é federal, se é estadual ou se sempre foi municipal. Agora, os analfabetos votantes são as pessoas mais lembradas nos períodos eleitorais, certamente por ser um contingente expressivo e pelas suas condições sócio-culturais mais propícias de serem usados como massa de manobras políticas. Em épocas passadas também eram muito assediados, mas existia um detalhe legal que fazia uma grande diferença – o analfabeto não era eleitor, não podia votar. Daí os políticos locais empreendiam muitos esforços na fabricação de eleitores, e para executar essa tarefa se valiam do saudoso MOBRAL, que tinha a nobre missão de ensinar o cidadão a marcar/desenhar o seu próprio nome e aprontar o futuro eleitor. E felizmente muitos tomavam gosto pelas letras, e mesmo não sendo mais estimulados pelo poder público, continuavam os seus estudos. O Sistema Eleitoral Brasileiro, na maioria dos municípios não respeita a norma legal, pois basta o cidadão saber apenas marcar/desenhar o seu próprio nome que a Justiça Eleitoral autoriza a sua candidatura, mesmo sem testar o nível de escolaridade do político analfabeto. Na prática os Juízes Eleitorais estão corrigindo uma injustiça legal – o analfabeto pode votar mais não pode ser votado. Outra situação ilegal. Na maioria das agências dos Bancos Oficiais os analfabetos estão abrindo contas e firmando contratos, e também não sabem ler o que está escrito nos documentos que estão marcando com o seu nome. O desrespeito às normas legais em relação aos analfabetos parece ser generalizado, virou festa. Matias Sene |