Imprimir
Política
Qua, 10 de Setembro de 2008 02:09

O PRONAF no BB Piauí 
> PRONAF - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar

BB Piauí  –  Período:  2006 / 2007  

       “O Pronaf não leva administradores para a Costa do Sauípe – uma referência aos Encontros Festivos de gerentes ouro no Sinergia.   Então, basta o gerente fazer o mínimo de operações do Pronaf e fazer muito alarde, isso é o suficiente pra gente calar a boca de sindicalistas rurais, de militantes e de políticos petistas do Piauí ".   
/este foi o recado de um dos Gerentes de Mercados do Banco do Brasil no Piauí, transmitido em "off" a alguns gerentes de agências num intervalo de um dos Encontro de Administradores.  E decerto foi atendido, pois naquele período agrícola (2006/2007) o crescimento das operações de Pronaf no Piauí foi bastante irrisório, inferior a 1% (um por cento) em relação ao período agrícola anterior/.

       No Banco do Brasil, a maioria de seus administradores trata o Pronaf como “Lixo Bancário”, e ainda, usam a Agricultura Familiar como “moeda de troca” na suas barganhas juntos aos governos estaduais e municipais, em negociatas envolvendo a migração das folhas de pagamentos dos servidores e de empréstimos consignados para suas Agências. E nessas condições os contratos com recursos do Pronaf são conduzidos, quase sempre sem a certificação de sua efetiva aplicação. O Banco no Piauí aplica o mínimo na agricultura familiar e pouco fiscaliza, pois parece não ser relevante para o Estado e nem economicamente viável para os acionistas, e ainda pode prejudicar as pretensões de ascensão profissional de seus Administradores.

       Na maioria dos municípios piauienses o Pronaf é visto como um forte aliado político, um excelente “cabo eleitoral” de candidatos que apostam na desinformação dos agricultores familiares e acabam tirando proveitos políticos eleitorais dessa situação.

       Diante dos descasos praticados por alguns dirigentes de Bancos Públicos (sociedade anônima), que priorizam os Lucros elevados e ainda se utilizam de todas as manobras para atingir os seus objetivos profissionais, o Governo Federal bem que poderia criar uma empresa (sem acionistas) para cuidar, em parceria com o SEBRAE, dos negócios do Pronaf nas regiões Norte-Nordeste e Vale do Jequitinhonha, através dos Balcões de Negócios/Sebrae  instalados em todos os municípios dessas regiões, com metas de aplicações e rígidos controles da inadimplência, por municípios.

-  Trechos da nossa Carta de 06.09.2006, enviada a alguns gerentes e ao Superintendente do BB no Piauí.  

“O nosso produtor familiar carece muito do nosso apoio, das nossas orientações e do nosso acompanhamento. O Banco do Brasil é visto como o maior e o mais forte parceiro, a nossa responsabilidade é muito grande e não podemos ficar distante ou até ausente”. 

“A nossa participação não corresponde à força e importância do Banco do Brasil, carecemos de atitudes transformadoras e do envolvimento direto dos seus Administradores na busca e fortalecimento de parcerias, na valorização dos empreendimentos produtivos familiares dentro das suas respectivas vocações, na orientação e acompanhamento dos seus financiamentos creditícios. Enfim, precisamos acreditar na importância grandiosa desses Empreendimentos Sustentáveis, precisamos priorizar a criação das condições necessárias para a implantação de ações fundamentais para o fortalecimento dos negócios da cadeia produtiva familiar com sustentabilidade”. 

“No Nordeste, numa das regiões mais pobre do País, não podemos ficar sonhando com os nichos de mercados da Av. Paulista. No interior do Estado do Piauí a realidade é outra, as opções mercadológicas são muito diferentes. Aqui os Empreendimentos Familiares são fundamentais. E através do fortalecimento desse segmento estamos incentivando, também, outros setores menos expressivos da economia local. Esta atitude, além de excelente opção negocial lucrativa (lucro financeiro + lucro social) para as Agências do Banco do Brasil localizadas nessas regiões mais pobres, ainda ajuda a manter o homem no campo (menor êxodo rural) com geração de trabalho e renda para as famílias rurais e urbanas, com dignidade e inclusão social. E, sobretudo, é a nossa atuação fazendo a diferença, é a nossa contribuição promovendo as condições básicas e preciosas para o tão esperado desenvolvimento sustentável desta Região. 

“A Inadimplência do Pronaf é o reflexo, inversamente proporcional, da nossa atuação e acompanhamento dos empreendimentos financiados aos produtores familiares (maior atuação = menor inadimplência), e esta equação pode indicar como estamos cuidando dos nossos negócios e de nossa gente”.   

Matias Sene
Editor
E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.