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O Método Primitivo de transporte do Caranguejo-uçá compromete a sua Sustentabilidade
O Caranguejo-uçá - “Ulcides cordatus cordatus”, desempenha importante papel ecológico na cadeia alimentar, na oxigenação e drenagem do sedimento e nos ciclos biogeoquímicos de diferentes elementos. A espécie é um importante recurso pesqueiro na região Nordeste, gerando
renda e melhoria de vida para as comunidades extrativistas. Todavia, a captura elevada dessa espécie tem acarretado a redução de suas populações em diversos estados brasileiros. Na região do Delta do Parnaíba, o caranguejo-uçá representa a maior parte das capturas de pescado, mas não existem estudos sobre o esforço de pesca e a abundância da espécie nessa região.
A produção desembarcada alcançou 980 toneladas de caranguejos, o equivalente a cerca de 6.000.000 de indivíduos que foram comercializados para diversas cidades da região, sendo que Fortaleza, no estado do Ceará, aparece como o maior centro consumidor adquirindo 95% desta produção (IBAMA, 2005).
Ocorre que destes 6.000.000 de caranguejos, cerca de 3.000.000 foram descartados, jogados ao lixo. Anualmente 50% produção comercializada desta região é descartada devido à mortalidade precoce no processo de comercialização. A causa desta mortalidade está relacionada a diversos fatores como o manuseio incorreto dos animais durante a pesca – é utilizado o cambito, instrumento que fere o animal na captura; A captura dos indivíduos dias antes da entrega para distribuição; O manuseio dos distribuidores ao acomodarem os animais no meio de transporte – são amarrados, empilhados e enlonados aos montes em caminhões e posteriormente transportados durante a noite aos centros consumidores. Com isso os animais perecem antes do abate para o consumo, não sendo aproveitados, e com isso leva os pescadores a extraírem mais do que o necessário para atender a demanda real de consumo.
Portanto, a principal preocupação com a sustentabilidade da atividade está relacionada com o ritmo de exploração, estrutura inadequada de transporte, aliado a degradação ambiental do ecossistema manguezal, constantemente agredido de várias formas, dentre as quais se destacam as seguintes: aterros motivados pela especulação imobiliária, desmatamento para o uso da madeira, com finalidades diversas, bem como para implantação de culturas de arroz, campos para pastagens; poluição de origem doméstica e industrial; ocupação por salinas e projetos de cultivo de camarão.
O caranguejo-uçá é bastante apreciado nas praias e restaurantes do litoral brasileiro. Da região do Delta do Parnaíba se abastecem os centros de Fortaleza, São Luis e Teresina. Cerca de 40 mil cordas, com quatro indivíduos, saem semanalmente de Parnaíba.Atualmente é registrada uma perda em torno de 50% do caranguejo que sai de Parnaíba em virtude do modo de acondicionamento e transporte, eles são empilhados e amarrados em caminhões como qualquer outra mercadoria. A EMBRAPA Meio Norte de Parnaíba tem desenvolvido importante pesquisa sobre a bioceologia do caranguejo-uçá no Delta e também está pesquisando uma alternativa de acondicionamento e transporte do caranguejo que vai para outros centros consumidores, especialmente para Fortaleza (CE). Segundo a pesquisa, que propõe o empilhamento do crustáceo em caixas plásticas sem haver um amontoado dos caranguejos, registrou-se uma redução variada entre 3% e 15% de perda.
O IBAMA está estudando a edição de uma portaria estabelecendo as instruções para o transporte do caranguejo, evitando a absurda mortalidade registrada.
GOMES, FERNANDO A. L., Sociólogo, Especialista em Administração e Manejo de Unidades de Conservação, IBAMA/PI.
Fernando Gomes Editor E-mail:
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