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Meio ambiente
Ter, 25 de Novembro de 2008 03:21

A História da Degradação Socioambiental 
 

         Há tempo, o planeta Terra vem sofrendo uma exploração irracional. De forma particular, a partir do século XX, o homem dito “civilizado” se depara com um grande dilema: aumentar o progresso material e preservar o paraíso terrestre. Sem pensar, ele escolheu a primeira opção, sob a égide do discurso da modernização. Concomitantemente, alinhados a conquistas como a do avião, do antibiótico, do computador, emergiram problemas resultantes da destruição dos recursos naturais, em proporções nunca imaginadas.

         Só ao longo do transcurso destes dois mil anos da era Cristã, a maioria dos humanos substituiu a cultura de convivência com a natureza, - base existencial milenar dos povos orientais e indígenas, pela cultura predatória do capitalismo, que atingiu a natureza e o homem até os níveis de destruição que conhecemos hoje. É indiscutível que o homem é sujeito e produto do seu agir sobre a natureza. Para a produção dos seus meios de vida ele desencadeia ações e, modificando a natureza e a si próprio, ele faz sua história. Nessa perspectiva, a história da degradação ambiental é a própria história da humanidade, manifestada no seu lado trágico de dominação, exploração e destruição.  Vale refletir sobre o conteúdo sinistro dessa história e pensar na sua superação.

         Ao fazermos um balanço histórico das relações homem-natureza, homem-homem, a lição mais proveitosa que podemos tirar neste momento, será, sem dúvida, a necessidade de uma mudança na postura humana de lidar com o meio natural. Pensávamos que os recursos naturais eram inesgotáveis, que estariam sempre à nossa disposição em quantidade ilimitada. Acreditávamos que a Terra é que provia e mantinha a vida; - aos humanos cabia apenas explorá-la, tirando o máximo proveito, como quem saboreia um sorvete e lança a casca fora. Descobrimos agora que, após o ato da criação, vem um outro tão importante quanto o primeiro, que é a recriação contínua que mantêm a vida na terra e que é desenvolvido pelos seres vivos.


         Cai por terra a antiga idéia de recursos naturais como algo “fora” de nós. Esta idéia é que levou o ser humano a produzir tantos estragos, enquanto realizava o chamado “progresso” material. Hoje, há uma preocupação quanto a esta postura e se questiona que a permanecer esta visão de progresso, por quanto tempo a vida subsistiria ainda na Terra? Desta reflexão é imperativo que se tem que adotar um novo modelo de desenvolvimento, que viabilize o crescimento econômico necessário, promova a dignidade humana e ao mesmo tempo preserve os recursos naturais. Descobrimos que o planeta necessita de cuidado. Cada país, cada cidade, cada cidadão precisa repensar seus processos vitais.

         No Brasil, o poder de decidir e intervir para transformar o ambiente (ou mesmo para evitar sua transformação), físico-natural ou construído, e os benefícios e custos dele (do uso do poder) decorrentes, estão distribuídos social e geograficamente na sociedade de modo assimétrico. Por serem detentores de poder econômico ou de poderes outorgados pela sociedade, determinados atores sociais possuem, por meio de suas ações, capacidade variada de influenciar direta ou indiretamente na transformação (de modo positivo ou negativo) da qualidade ambiental. Esses atores, em suas decisões, nem sempre levam em conta os interesses e necessidades das diferentes camadas sociais direta ou indiretamente afetadas. As decisões tomadas podem representar benefícios para uns e prejuízos para outros. A prática da gestão ambiental não é neutra. Daí a importância de se praticar uma gestão ambiental participativa.

Autor: Fernando A. L. Gomes, Sociólogo, Especialista em Manejo de Unidades de Conservação, IBAMA/Parnaíba/PI.

Fernando Gomes
Editor
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